Amor turco
Não confunda os dinheiros, desempregada sim, mas dinheiros de viagem, sempre! Amém!
Um mês depois de assinar minha rescisão, resolvo ir para Turquia (aliás, o que já era planejado), porém dessa vez, eu poderia ir sem dia para voltar e como eu sempre dizia quando saia de férias, talvez eu não volte, vou casar com um europeu...
Fui para Turquia com esse objetivo, conhecer os famosos e lindos turcos (vide o famoso vendedor de milho). E são lindos mesmo, sem contar a simpatia, o olhar cativante, e sim, a persuasão em suas negociações, e como eles são bons nisso, muito bons mesmo!
Istambul foi a chegada, única cidade do mundo que faz parte de dois continentes, com um centro cultural oxigenado, arquitetura que carrega história grega, romana, bizantinas e otomana, um espetáculo a céu aberto! Incrivelmente incrível!
Como sou uma pessoa do dia, obviamente acordava cedinho e andava até o anoitecer, e se passando três dias, ainda sem nenhuma promessa de amor eterno, um pouco decepcionante para quem estava iludida com tanta novela turca que tinha assistido.
Porém, no dia seguinte, acordei e resolvi ser a miss simpatia e fui perguntar ao recepcionista do hotel algumas palavras em turco, o que ele prontamente me ensinou várias, mesmo eu só decorando uma, fiz sucesso por onde proferia a palavra “Teşekkür ederim” que eu falava “Tesecula” que significa obriga. Mas eles eram tão simpáticos, que mesmo eu falando errado, eles agradeciam em um português também errado, mas totalmente compreensível.
O importante é que o recepcionista não me ensinou somente algumas palavras turcas, ele também me ensinou literalmente as terminações nervosas da língua turca. Entre uma saída do hotel e uma chegada, ele estava ali, sempre com aqueles olhos penetrantes, maliciosos e ao mesmo tempo, ingênuo, o próprio protagonista da novela turca Intersection.
E do nada, comecei a ficar ali pela recepção quando chegava. Subia, tomava banho, pegava minhas bolachinhas e sentava na r poltrona verde, tentando fazer de conta que entendia algo da televisão, até que uma noite fui convidada a conhecer um quarto premium, já que o meu era deverasmente limitado em seus metros quadrados. Sem intenção alguma aceitei o convite e ele como um bom negociador turco, ficava me dizendo, ah, da próxima vez, me avise que tentamos um desconto, que esse quarto, tu terás uma vista para o Bósforo, que esse tem pouco barulho e assim, sucessivamente...
De repente, enquanto eu observava o Bósforo ao longe (bem longe por sinal, mas ele acreditava que tinha uma vista incrível), senti uma pressão na minha cintura, umas mãos que deslizavam pelas minhas costas e subitamente, agarrou meus cabelos, levantou-os e encostou sua boca no meu pescoço, nisso, fui me virando, meio surpresa, mas gostando, até que ele roçou sua boca na minha e um vulcão se acendeu em mim, eu estava frágil, desprevenida e ardente. Enquanto seus lábios deixavam marcas nos meus, suas mãos arranhavam suavemente meu corpo.
E na hora, lembrei de outras palavras que aprendi em turco: “Böyle devam et.”
Uma verdadeira erupção, os beijos ficaram intensos, daqueles que fazem a gente esquecer quem é, suas mãos percorriam meu corpo, provocando arrepios, a respiração acelerou e de repente, ele me joga na cama, me olha fixamente, fala algo que não entendi, mas que compreendi, e deliberadamente prende seu corpo sobre o meu, não me dando vazão, não me deixando respirar, é a pressão dos dois corpos sob a respiração frenética de duas chamas acesas. Suas mãos se enroscavam em mim como um fiapo de tesão, a sua boca já havia percorrido todos os locais do meu corpo, seus olhos aguçavam minha vontade, calafrios intensos e desejos incontidos.
Arranquei o botão das suas calças enquanto ele tentava tirar minha blusa e me desfiz quando novamente, ele tocou meus seios, dali em diante me entreguei por completo a essa descarga de desejo, tudo queimava dentro de mim, era feroz, devastador, e ele estava cumprindo direitinho seu papel de homem turco europeu e quando sua mão alcançou meu ventre, deslizando por entre minha calcinha não me deixando trégua para respirar, eu só queria que continuasse, não parasse, minha pele latejava como uma dor fenda e inacabável, eu queria mais e mais, queria seu corpo dentro de mim, e sua boca continuamente me eriçando...
Toc toc, poderiam me dizer onde esta o recepcionista?
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