Um decanter e um post
Postei! Entre várias coisas que estou me desfazendo, havia um decanter nunca usado. Bonito, de vidro transparente e com bordas arredondadas. Postei e logo recebi um: “Quero”!
Mas não era um quero qualquer, era um quero de alguém do passado, um passado não muito distante...
Entre o “quero” e a entrega, se passaram várias semanas, ou ele não podia pegar, ou eu não poderia entregar, e entre mensagens e viagens, um dia o tal do decanter encontrou seu novo dono. Mas não foi só isso, ele também foi cumplice de um reencontro ardente de poucas perguntas e muitas explicações.
Nunca mais tínhamos nos visto, talvez seis ou sete meses passados, com mensagens do tipo, não quero nada sério ou você não faz o meu tipo desfizeram o encanto do tal aplicativo que no uniu.
What?
Não sei se foi bem isso, mas no reencontro no meu sofá, seus olhos diziam te quero e os meus diziam, te devoro...
Ele, gentil e educado. De um sorriso estridente e um olhar de candura e ao mesmo tempo, malicioso. Eu não queria ceder, mas também não queria pedir para que ele fosse, eu só queria entregar o decanter, receber o dinheiro, mas ali, no meu sofá, falando dos assuntos mais aleatórios, como igreja, dinheiro, trabalho, negócios, bebidas, vinhos e desemprego, já que eu acabara de ser demitida, eu não tinha como fugir ou mostrar desinteresse, porque realmente o papo era bom.
Entre papos e olhadas, ele me pediu um beijo e o que era somente a venda de um decanter que tranquilamente, poderia ter sido entregue na portaria do prédio, virou um déjà-vu entre mãos e pegadas, beijos e mordidas.
Sua pele macia e morena, me lembrava do primeiro dia que dividimos a cama, do primeiro dia que me fez sua mulher, e também, do primeiro e último dia que sussurrou: “geme para teu homem”.
Meu homem de uma noite só! Sim. Enfim.
Foda-se!
Me rendi!
O decanter rendeu e não foi só dinheiro. Eu suplicava pelo teu corpo no meu, tua boca invadindo minhas partes, deslizando sobre e entre mim.
Eu te queria.
E entre o fervor do tempo e a vontade dos corpos, entre um amasso e outro, incansavelmente e insaciavelmente, fervorosos como dois animais que saíram do jejum de seus corpos, de repente, um estrondo no chão, seco e brutal.
Era o decanter. Caiu. Quebrou!
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